A Ciência Circular e a Matriz de 1440 Minutos na Astronomia Ancestral
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Assim, com o entendimento destes movimentos e a sua integração correta na mecânica celeste e na Matriz de 1440 minutos, é quando se manifestam os números inteiros, revelando que a aritmética e a geometria são suficientes para descrever, de forma científica, racional e tridimensional, o passo a passo da viagem dos planetas pelo universo com detalhes.
Neste Artigo
Parte I — A Astronomia Ancestral
I — 1. O Mito da Ciência Primitiva
A ideia de que a Astronomia Ancestral era um conhecimento rudimentar, assente numa perspetiva primitiva estritamente geocêntrica, que servia apenas para prever e identificar eventos astronómicos na Terra — como as estações do ano ou os eclipses, com celebrações místicas e rituais, ou para erguer monumentos alinhados com o céu — é uma interpretação bastante ingénua da nossa cultura, muito reveladora do quanto estamos afastados da realidade científica ancestral.
Para podermos compreender a verdadeira dimensão do conhecimento destas civilizações — anteriores à antiguidade — precisamos de despir o preconceito muito enraizado na nossa cultura moderna de que a Astronomia Ancestral seria uma mera interpretação mística dos céus, associada apenas a superstições, cultos e sacrifícios, quando, na verdade, se tratava de uma ciência rigorosa, de base matemática, que descrevia com exatidão a mecânica dos corpos celestes no espaço-tempo.
A Astronomia Ancestral é admiravelmente reconhecida pela capacidade de edificar monumentos perfeitamente alinhados com o céu, demonstrando um conhecimento rigoroso e preciso sobre as efemérides e a mecânica celeste.
I — 2. Calendários, Efemérides e o Padrão Circular do Céu
A precisão deste conhecimento sobre a mecânica celeste pode ser comprovada nos calendários e sistemas de divisão de tempo das culturas antigas que nos foram transmitidos, onde são reproduzidas as órbitas, ciclos e eventos planetários de forma harmoniosa, ainda em uso na atualidade, e que nunca precisaram de substitutos.
Para além do rigor dos calendários, estas civilizações deixaram registos de efemérides de uma complexidade e exatidão admiráveis, que continuam a surpreender a astronomia moderna.
Esta investigação sobre os calendários revelou que o estudo e os conhecimentos astronómicos ancestrais não precisaram de tecnologia avançada para explicar a viagem do planeta Terra pelo universo. Uma viagem que acontece sobre uma estrutura de espaço-tempo tridimensional, em expansão.
Foi o sistema astronómico circular que proporcionou às culturas ancestrais encontrar um padrão dinâmico no céu — matemático e geométrico perfeito — uma estrutura organizada construída pelas órbitas, ciclos, alinhamentos e outros eventos planetários descritos pela Terra com a Lua e com o Sol sobre o universo.
Um padrão encontrado pela astronomia no céu, reconhecível também na natureza da superfície do nosso planeta.
I — 3. A Realidade Física, Psíquica e Espiritual
É sobre esta visão abrangente do céu entendido à escala do cosmos — relacionável com a vida na Terra — que podemos finalmente compreender que as civilizações antigas, mais do que identificar de forma isolada ou casual os alinhamentos ou efemérides apontados sobre as suas construções e monumentos, procuravam recriar na superfície da Terra o entendimento do que a astronomia lhes ditava.
A ciência das culturas ancestrais assentava no princípio de que o universo operava num sistema físico e psíquico — simultâneo e complementar — sobre as mesmas leis e ordem de expansão.
Neste conhecimento, na natureza, na vida e no cosmos, era sempre acrescentada a dimensão psíquica à dimensão física da matéria — era desta forma que estas civilizações elevavam a totalidade do universo a uma dimensão espiritual, sempre e naturalmente integrada no conhecimento científico.
É desta forma que podemos compreender como a vida espiritual e científica destas culturas estava integrada num todo cultural, com uma enorme reverência à ordem cósmica e ao conhecimento da astronomia — refletida na construção de monumentos alinhados com os céus e a abóbada celeste, uma prática que era a expressão do seu caráter científico e espiritual, em harmonia com as leis do universo — onde demonstravam a compreensão de que a mecânica celeste tem uma correspondência exata em como a vida se manifesta, se organiza e se desenvolve na Terra.
Para estas civilizações, o rigor astronómico e a precisão da sua arquitetura nasciam do reconhecimento de que o espaço-tempo da Terra operava como o eixo gerador da vida, da forma e do espírito sobre a superfície do nosso planeta.
Viver, construir, plantar e governar em desalinho com esta ordem cíclica e soberana dos céus seria considerado uma distorção da realidade, uma total falta de rigor perante o tear cósmico que sabiam que tece e ordena todo o seu sistema natural, com uma imensa precisão matemática encontrada no desenvolvimento e na evolução da matéria, da psique e de todas as formas de vida — manifestadas na superfície da Terra.
Parte II — A Ciência Circular e a Matriz de 1440 Minutos
II — 1. A Ciência Circular
Compreender que o sistema científico das culturas antigas assentava num padrão circular universal, observado de forma matemática e geométrica, de grande precisão e muito avançado — possível de aprender com a sua astronomia — foi a principal conquista que esta pesquisa sobre os calendários e a Astronomia Ancestral representou.
O encontro com o padrão tridimensional do espaço-tempo da Terra na astronomia por estas culturas permitiu comprovar que o universo se expandia e manifestava, sempre sobre padrões circulares e cíclicos, organizados de forma orgânica, proporcional e harmónica, explicáveis de forma matemática e geométrica.
Nesta ciência circular, o espaço-tempo dos planetas era definido pela sua própria dinâmica no espaço e no tempo, de forma articulada e integrada, sobre movimentos circulares e cíclicos, determinados pelas suas órbitas, ciclos, alinhamentos e eventos planetários na sua viagem pelo universo.
É desta forma que poderemos compreender que o padrão encontrado pela astronomia no céu — reconhecível também na natureza e na superfície da Terra — era onde assentavam os sistemas científicos, espirituais e culturais destas civilizações. Da matemática à geometria, da arte à arquitetura, dos mitos aos rituais, todos os fenómenos e criações humanas eram baseados exatamente nos mesmos princípios e moldes desta ciência circular.
II — 2. A Matriz de 1440 Minutos
A principal dificuldade em podermos mergulhar na verdadeira dimensão e profundidade da astronomia e ciência ancestral pode ser explicada pelo desconhecimento do seu instrumento operacional fundamental — a Matriz de 1440 Minutos.
Nesta investigação sobre astronomia, o encontro com a repetição constante dos mesmos números e ciclos de tempo — nos calendários — foi o que revelou que existia uma base operacional no método de cálculo astronómico ancestral, onde a Matriz de 1440 Minutos era a ferramenta principal.
Este instrumento mecânico de leitura astronómica — que, aparentemente, não chegou até à nossa civilização moderna, pelo menos neste modelo original antigo — é a mecânica matemática que explica, e onde assenta, todo o sistema da Ciência Circular. Esta matriz de medição é, afinal, o que revela o rigor científico com que as culturas ancestrais observavam o céu.
A base da Ciência Circular consiste na observação da forma cíclica com que o universo determina os eventos e fenómenos naturais, no céu e na Terra. Sobre esta perspetiva científica, a Matriz de 1440 Minutos representa um ciclo completo e funciona como um modelo que descreve, de forma orgânica, a ordem e evolução natural, com o princípio (0'), meio (720') e fim (1440') de cada ciclo.
Esta Matriz de forma circular é a unidade padrão da astronomia ancestral — tendo como única grandeza o minuto de tempo e o minuto angular de espaço, sempre relacionados entre si. Uma convenção inspirada no ciclo do dia solar da Terra que não apresenta a unidade isoladamente, mas já inserida dentro do padrão circular e cíclico evolutivo, coerente com a ordem universal.
II—3. A Escala 1:1, o Ponto Zero e os 1440 Minutos
A eleição do padrão da matriz do dia solar com 1440 minutos como unidade astronómica ancestral para representar a dinâmica cíclica do universo, pode ser justificada pela harmonia onde um minuto de tempo corresponde a um minuto angular — uma proporcionalidade numa escala de 1:1 que transforma a rotação da Terra num referencial perfeito — um modelo de cálculo que permite que todas as medições e coordenadas astronómicas tenham uma dimensão e escala humana, possível de ser operada e compreendida de forma racional.
Assim, ao contrário do que podemos pensar, este referencial com base no dia solar — que permite estabelecer relações astronómicas cíclicas e proporcionais de forma aritmética — não vincula de maneira alguma a astronomia ancestral a uma visão geocêntrica unicamente baseada na observação a partir da Terra.
Até porque, se os 1440 minutos são a medida exata da rotação da Terra, nesta dimensão circular podem ser contidos os ciclos e as órbitas do Sol, da Terra e da Lua, manifestando-se sobre uma harmonia e proporcionalidade dinâmicas que podem ser traduzidas, com todos os detalhes, pela astronomia.
Apesar de o modelo da Matriz de 1440 minutos ser muito semelhante ao zodíaco, ao relógio e à convenção da circunferência de 360 graus, quando operamos a astronomia ancestral sobre este sistema circular, comprovamos que esta matriz é um instrumento surpreendentemente versátil — ao contrário da estrutura fixa do zodíaco e do relógio.
Embora este sistema circular astronómico nos possa parecer familiar, a sua aplicação e os seus resultados revelam um modelo totalmente original e desconhecido, pelo menos na nossa cultura moderna.
A ideia de que a Matriz de 1440 minutos representa o zodíaco com o nosso planeta no centro não se aplica a este modelo ancestral. Na realidade, a Terra funciona como o centro das observações apenas quando o foco é — o seu próprio movimento de rotação, a translação da Lua em seu redor ou o ciclo de lunações.
No entanto, se for a translação da Terra o objeto de estudo, então é o Sol o ponto central da matriz. O centro da observação até pode ser a nossa galáxia, caso o objeto de estudo seja a viagem do Sol em seu redor.
II — 4. Sol, Terra e Lua no Centro da Matriz
O ponto de referência zero e 1440 minutos, que marca o início e o fim do ciclo observado, constitui uma definição de grande importância na leitura de qualquer matriz, zodíaco ou relógio.
Se no relógio o ponto de partida é pautado pelas zero horas ou meio-dia, o zodíaco está alinhado com o ponto vernal, o grau zero de Carneiro, que na astronomia ancestral representava o início, sim, mas apenas relacionado com o dia solar e a rotação da Terra, e não relacionado com a translação do nosso planeta.
O ponto de referência norte na Matriz de 1440 minutos, que determinava o início e o fim do ciclo observado, era assinalado no solstício de inverno no Hemisfério Norte e de verão no Hemisfério Sul.
As zero horas do dia solar, assim como o solstício de inverno no Hemisfério Norte e de verão no Hemisfério Sul, representavam o ponto mais elevado e de arranque cíclico da astronomia em relação ao nosso planeta.
Enquanto o objeto de observação era a Lua, o ponto de partida era posicionado no ponto oposto, a sul, com o Sol a servir de referência e a Terra no centro da matriz.
Assim, com estes exemplos podemos confirmar a versatilidade com que esta régua circular astronómica podia ser aplicada e transformada. Desta forma, compreender o funcionamento deste instrumento ancestral ajuda a desmistificar a ideia de que o conhecimento ancestral possa ser ingénuo.
Tornando-se evidente que, questões como o geocentrismo e o heliocentrismo não representavam dúvidas ou debates, mas apenas diferentes perspectivas e sistemas possíveis — um modelo astronómico que assenta no ponto da observação e não no observador.
Assim, consoante o ciclo ou a órbita que se queira analisar— a referência central na matriz e o ponto Zero/1440 que marca o início e fim do ciclo são variáveis que mudam consoante a perspetiva, sistema, movimento ou evento que se queira considerar, que pode ser a Terra, a Lua, o Sol ou qualquer planeta.
A Matriz de 1440 minutos permitia medir diferentes ciclos, órbitas e qualquer evento planetário em movimento, relacionados uns com os outros de forma integrada e proporcional. Todas estas dinâmicas eram observadas sobre os mesmos pontos de referência e grandezas numéricas da própria matriz.
Deste modo, o dia solar de 1440 minutos servia de modelo como uma unidade padrão acumulativa ao fim de cada ciclo completo no espaço e no tempo — fosse este ciclo a rotação, a translação, o cruzamento ou o alinhamento das estrelas e planetas no céu.
II — 5. A Natureza Circular e Cíclica
A mecânica celeste quando observada sobre este sistema circular, revela a forma ordenada, harmónica e proporcional com que o universo opera no céu. É através destes ensinamentos que se compreende como são sempre os mesmos números que estruturam e organizam de forma admirável este sistema, sobre múltiplas dimensões e diferentes escalas — seja em minutos, dias ou anos, manifestando-se no tempo e no espaço através de qualquer ciclo ou dinâmica astronómica.
Na descrição prática desta técnica onde assenta a Ciência Circular ancestral, estruturada pelo instrumento da matriz de 1440 minutos, o rigor deste sistema era justificado pela forma como os eventos e as órbitas astronómicas eram minuciosamente analisados e distinguidos para, só depois, serem relacionados.
Embora os calendários Haab e Tzolkin, das culturas Maya e Azteca, tenham sido o ponto de partida ideal para este estudo, as conclusões desta investigação demonstram que o conhecimento destas civilizações tinha, afinal, como base uma Astronomia Ancestral global.
Este modelo de observação astronómica pode ser verificado de forma abrangente nas civilizações antigas — uma conclusão que se torna evidente ao confirmarmos que os números e os ciclos de tempo são facilmente relacionáveis sobre este padrão de conhecimento ancestral comum, embora considerados sobre diferentes convenções, articulações e calendários.
De facto, as grandes diferenças na astronomia não residem nas culturas ancestrais entre si, mas sim entre a astronomia ancestral e a astronomia moderna.
Se o sistema operacional da Matriz de 1440 minutos — cujo cálculo originou as estruturas dos calendários das culturas ancestrais — não chegou até aos nossos dias de hoje, o mesmo não podemos dizer sobre esses ciclos de tempo, que continuam vigentes na nossa cultura moderna.
Uma herança que podemos encontrar na aritmética, na geometria ou na espiritualidade, com padrões numéricos e os mesmos números inteiros operados e consagrados por estas culturas — como as sequências decimais, a dúzia e a meia dúzia, a profunda relevância do número 7, nos dias da semana ou nas notas musicais, ou o significado e o protagonismo científico do número 5, nos dedos das mãos ou no conceito da quinta-essência.
II — 6. Geometria, Matemática e a Ordem dos Números Inteiros
O caráter matemático que esta investigação atribui aos conhecimentos científicos ancestrais refere-se, na verdade, a um sistema que opera sobre as leis da aritmética e com números inteiros — e nunca sobre equações ou modelos matemáticos modernos.
Contudo, devido às suas múltiplas e elaboradas configurações, as operações deste sistema astronómico podem ultrapassar a aritmética simples. Assim, a escolha da matemática neste projeto para enquadrar estes cálculos é uma forma de assegurar que todo este sistema ancestral fica integralmente incluído neste estudo.
A propósito do caráter rigoroso e matemático da Astronomia Ancestral que este estudo vem confirmar — uma investigação assente e estruturada essencialmente nos números e nos ciclos de tempo dos calendários — quem melhor para servir de mestre neste trabalho do que as culturas da Mesoamérica?
Foi precisamente a forte natureza matemática destas culturas que tornou possível a esta pesquisa chegar a bom porto — porque, no final de contas, o que sei sobre astronomia foram os Mayas que me ensinaram.
No entanto, os conhecimentos matemáticos destas culturas não se limitavam aos números — lado a lado com a aritmética dos calendários, surge a geometria, sobre um padrão de igual genialidade e rigor.
Assim como a aritmética dos números inteiros assenta nos cálculos do sistema circular ancestral, o mesmo se pode dizer, com igual relevância, sobre os princípios geométricos que se estabelecem na Matriz de 1440 minutos.
Os princípios aritméticos e geométricos em que assenta esta pesquisa aos calendários, por mais profundos e abrangentes que sejam, já nos são familiares. Na verdade, eles representam os alicerces culturais, científicos e espirituais de todo o conhecimento da Terra e da humanidade.
É com este entendimento que a maior evidência a que este estudo nos remete, de forma admirável e com toda a clareza, é que é o próprio Universo que nos dá forma dentro desta estrutura de cálculos e de medidas — e que nos ensina que a verdadeira mãe da matemática e da geometria é a astronomia.
É sobre este conhecimento ancestral que podemos compreender a relação da geometria com a astronomia — uma relação que ilustra a dinâmica das órbitas no espaço e no tempo através dos seus ângulos principais, e onde os eventos e alinhamentos planetários determinam divisões geométricas harmoniosas na matriz e no céu.
Aqui, a geometria revela que, para além da sua dimensão sagrada, ela é, acima de tudo, um conhecimento científico aplicado à astronomia e ao estudo do Universo — onde a sua importância e os seus ensinamentos caminham lado a lado com a matemática.
Foram os conhecimentos geométricos integrados com a aritmética complexa operada por aquelas culturas — sob o referencial da Matriz de 1440 minutos — que permitiram à Astronomia Ancestral uma leitura tridimensional da viagem dos planetas no espaço e no tempo.
II — 7. A Órbita Original e a Dinâmica Planetária
Numa primeira observação, os astrónomos ancestrais consideravam as órbitas originais dos planetas — sobre padrões circulares, perfeitos e planos, fixados num movimento perpétuo — o momento orbital anterior ao início da dinâmica marcada pelo movimento da sua viagem pelo universo.
É neste modelo de órbita original, fixa e perfeita ancestral — onde se ajusta o conceito cíclico unitário atribuído e representado pela Matriz de 1440 minutos — inspirado no dia solar.
No sistema antigo, a órbita original de qualquer planeta é sempre identificada na matriz com a indicação do planeta ou estrela sobre o qual orbita e qual o seu sentido — que, no caso da Terra e da Lua, descreve o seu movimento orbital no sentido solar, ao contrário dos ponteiros do relógio — um circuito que, na Matriz de 1440 minutos, é assinalado da direita para a esquerda a partir do ponto inicial zero.
Só após a observação inicial onde é devidamente identificada a órbita do planeta e o seu sentido solar original na matriz, é que os astrónomos antigos incluíam nos seus cálculos a expansão orbital que a força cinética produz no movimento dos planetas sobre o universo.
Explicando assim como é que as órbitas perfeitas e originais dos planetas se alteram e são modificadas pela ação da velocidade, e como se manifestam a partir daí, sobre padrões irregulares e distorcidos no espaço e no tempo, que tão bem conhecemos na nossa astronomia.
Uma distorção que foi identificada pela astronomia antiga como um segundo movimento registado nas órbitas dos planetas, oposto, complementar e simultâneo ao movimento direto no sentido solar — um movimento no sentido sideral — uma segunda dimensão do espaço e do tempo, onde são consideradas todas as variações e flutuações que estendem os sistemas orbitais dos planetas, quando submetidos ao impulso da velocidade, um movimento que podia ser medido e calculado com todo o rigor a que estas culturas nos habituaram.
II — 8. Sentido Solar e Sentido Sideral
É desta forma que podemos concluir que as órbitas dos planetas na mecânica antiga eram medidas sobre duas dimensões no espaço, no tempo e na Matriz de 1440 minutos — o sentido solar e o sentido sideral — onde, se o sentido solar dos planetas, como no caso da Terra e da Lua, é registado na Matriz no sentido anti-horário, o sentido sideral é marcado no sentido horário.
Contudo, é necessário fazer uma distinção importante — aquilo que a astronomia moderna define como movimento sideral — o posicionamento dos planetas em relação às estrelas — não se aplica ao sistema da Astronomia Ancestral, onde o movimento que o sentido sideral indica é medido sobre as próprias órbitas dos planetas, diariamente e a cada instante, e corresponde ao desvio da sua órbita original quando submetido ao impacto da velocidade.
O sentido sideral aqui considerado pode ser o equivalente ao que compreendemos por movimento de precessão dos planetas — que a astronomia antiga explicava e calculava com toda a precisão, observadas sob as oscilações a que os planetas estão sujeitos, e a que as suas órbitas os obrigam — para não desorbitarem com o impacto da velocidade.
É precisamente sobre o cálculo e a distinção de dois movimentos planetários com ciclos opostos e complementares — definidos nos sentidos solar e sideral — que a magia acontece na Astronomia Antiga.
Assim, com o entendimento destes movimentos e a sua integração correta na mecânica celeste e na Matriz de 1440 minutos, é quando se manifestam os números inteiros, revelando que a aritmética e a geometria são suficientes para descrever, de forma científica, racional e tridimensional, o passo a passo da viagem dos planetas pelo universo com detalhes.
É sobre esta estrutura orbital com dois sentidos dinâmicos — o solar e o sideral, medidos na Matriz de 1440 minutos com base em duas coordenadas de espaço, lidas em sentidos opostos, e uma coordenada de tempo comum a ambas — que se estabelece o sistema que permite ler e determinar as órbitas, os alinhamentos e os eventos planetários, descritos sobre ciclos e valores inteiros e racionais, de forma tridimensional, em todas as escalas e dimensões na Astronomia Ancestral.
II — 9. A Espiral Tridimensional
É a partir deste ponto de estudo sobre a Matriz de 1440 minutos que podemos compreender o caráter dinâmico e tridimensional deste admirável e engenhoso mecanismo ancestral.
Para podermos entender de que forma um sistema que parte de uma observação perfeitamente plana e circular pode ser convertido numa leitura dinâmica e tridimensional, precisamos de voltar um pouco atrás e retomar a forma rigorosa como os movimentos astronómicos eram descritos na matriz, onde todos os passos dos planetas eram distinguidos e estudados cuidadosamente — uma análise que não se ficava pela órbita aparente de qualquer planeta.
Na Astronomia Ancestral, as diferenças que se faziam notar entre o ciclo dinâmico e o ciclo perfeito do planeta serviam, afinal, de matéria-prima que permitia calcular o descolar do movimento fixo circular para dar lugar ao movimento tridimensional da espiral orbital — a versão astronómica antiga que descreve a viagem de qualquer planeta sobre o universo, assim como identifica os cruzamentos e alinhamentos com os outros planetas.
Uma mecânica celeste baseada no rigor científico, que não precisou de tecnologia avançada para expandir os conhecimentos que as suas observações planetárias a partir da Terra lhes proporcionaram.
A técnica que permitiu à ciência ancestral encontrar apenas números inteiros no seu sistema operacional planetário da matriz de 1440 minutos é a mesma que tornou possível converter as órbitas originais numa viagem tridimensional sobre o universo — uma abordagem que, mais uma vez, assenta na distinção rigorosa entre os diferentes movimentos no caminho dos planetas, algo que se explica facilmente pela ação da velocidade.
Se definirmos um traçado fixo circular para um determinado planeta e lhe imprimirmos velocidade, torna-se fácil compreender que este se flexibiliza no seu percurso de forma a não se desviar do seu centro — ele pode subir, descender, rodopiar ou bambolear, mas nunca sairá da sua rota nem desorbitará.
No entanto, qualquer que seja a oscilação ou variação orbital causada pelo impacto da velocidade, ela terá consequências astronómicas no espaço e no tempo, atrasando ou adiantando o ciclo original observado nessa mesma órbita.
Este atraso ou variação orbital é, afinal, o desvio onde o círculo perfeito, fixo e de movimento perpétuo e bidimensional da órbita original de qualquer planeta dá lugar a uma espiral tridimensional, dinâmica e criativa.
Esta expansão, registada no espaço e no tempo, altera todo o sistema de coordenadas e deixa um enorme rasto de informações preciosas em todo o conhecimento astronómico antigo — um desdobramento orbital que, sem recorrer a forças ou à gravidade, pode ser muito bem explicado pela mecânica celeste descrita na Matriz de 1440 minutos.
II — 10. O Espaço-Tempo Ancestral
O sistema planetário ancestral descrito sobre o referencial da Matriz de 1440 minutos — onde assenta também a estrutura do relógio, que combina o espaço angular da rotação com os minutos de tempo do dia da Terra — revela-nos que a humanidade, logo desde cedo, compreendeu que o tempo e o espaço representavam uma dupla inseparável na astronomia e na vida da Terra.
Com o cruzamento destas duas coordenadas, as culturas ancestrais puderam compreender a forma como o universo — dando forma ao espaço-tempo, a malha sobre a qual os planetas viajam — cria uma estrutura articulada e dinâmica, construída pelas suas próprias órbitas circulares e cíclicas, num modelo em constante expansão, sempre proporcional e em harmonia, revelando a forma ordenada em que o universo se desdobra e manifesta.
Foi este modelo astronómico que permitiu identificar que a viagem do planeta Terra sobre o universo tecia a sua própria trama — o seu espaço-tempo, uma estrutura dinâmica em contínuo desenvolvimento, descrita com números inteiros e sequências numéricas organizadas — sobre padrões geométricos tridimensionais, de forma ordenada e cíclica, sempre equilibrados e simétricos.
Uma viagem descrita no céu, com o mesmo padrão com que se desenvolvia e evoluía a natureza sobre a sua superfície — uma confirmação científica de que a Terra construía a sua teia de espaço-tempo no céu — sendo esta própria teia a geradora da sua vida natural, a qual estabelecia e refletia uma relação direta com a ordem e a proporcionalidade em que as órbitas, os ciclos e os eventos planetários se manifestavam nessa mesma dinâmica, onde tudo evolui em perfeito equilíbrio.
Um conhecimento que pode ser explicado pela imensa sabedoria que as culturas ancestrais nos deixaram — que procuravam reproduzir na Terra e na vida os padrões e a ordem que o céu lhes ensinava.
Um paradigma astronómico, cultural, espiritual e científico — que pode ser comprovado na sua Ciência Circular, na Matriz de 1440 minutos e, claro, no próprio universo.
Parte III — Astronomia Ancestral e Astronomia Moderna
III — 1. Duas Eras e Duas Astronomias
Compreender o conhecimento rigoroso e científico que está por trás da Astronomia Ancestral é a mais surpreendente conclusão a que esta investigação aos calendários nos conduz.
Só depois de conseguir verdadeiramente compreender a sua Astronomia, e os seus ciclos de tempo do ponto de vista matemático e cosmológico, é que se torna possível realizar a sabedoria que estas culturas puderam alcançar.
A forma como compreenderam e explicaram a ligação do universo com a vida e a natureza sobre a superfície da Terra, fica francamente para além do que podemos até aqui observar no campo científico e cultural.
O facto de que a astronomia poderia ter sido um tema de estudo global puramente científico — sobre planetas, o cosmos e o universo, a verdade é que se transformou, ao longo da história da humanidade, num campo de batalha entre a ciência e a espiritualidade, num sério desentendimento entre a explicação do “mecanismo” e o “significado” atribuído aos céus e à astronomia pelas culturas.
As diferenças inconciliáveis entre a Astronomia Ancestral e a Astronomia Moderna — nos seus métodos de estudo, resultados e conclusões — são uma boa maneira de ilustrar o ponto de ruptura na história das civilizações, onde se pode marcar um antes e um depois na forma como a humanidade olhava os céus.
No entanto, mesmo com o fosso crescente criado a certa altura da história entre a Astronomia Ancestral e a Astronomia Moderna, estas, curiosamente, poderão estar a encontrar-se. Mesmo que pareçam mais distantes do que nunca, os resultados desta investigação explicam como os conceitos em que ambas as ciências assentam podem coincidir, tornando os seus conhecimentos complementares e possíveis de integrar.
III — 2. Ciência e Pensamento — Paradigmas Ancestral e Moderno
Embora o principal resultado prático e científico desta investigação seja o encontro com a Ciência Circular e a Matriz de 1440 minutos, a forma como se cruzam a Astronomia Ancestral e a Astronomia Moderna — e como se podem explicar as diferenças em que ambas assentam — é, sem dúvida, outro dos objetivos desta investigação.
É fundamental esclarecer que, para o sistema astronómico ancestral ser integrado e devidamente compreendido, muitos dos seus conceitos podem ser confirmados através da correspondência com modelos e padrões da ciência moderna explicados na atualidade. Esta equivalência — que funciona como a prova viva de que ambas as ciências explicam o universo e a ordem natural sob os mesmos padrões universais — mostra que as suas perspetivas científicas poderão estar, na verdade, a encontrar-se e, finalmente, a explicar as suas diferenças.
No decorrer deste trabalho, os termos considerados científicos — que descrevem conceitos da ciência moderna — surgem relacionados com fenómenos descritos pelo conhecimento ancestral. Esta correspondência não representa um plágio, mas sim um encontro orgânico e natural de duas astronomias nascidas sob o mesmo céu e universo que, mais tarde ou mais cedo, teriam de se encontrar, mesmo quando os seus paradigmas parecem distantes.
Assim, os pilares do pensamento e da ciência moderna com conceitos como — o espaço-tempo, o quântico, o arquétipo e a sincronicidade — traduzem modelos e paradigmas que a astronomia ancestral já reconhecia no seu próprio sistema.
Embora pertençam a épocas e ciências diferentes, estes conhecimentos complementam-se e convergem de forma admirável.
Conceitos que unificam o pensamento ancestral e o moderno de forma orgânica, onde — o espaço-tempo e o quântico — descrevem o padrão e a expansão na evolução da estrutura do universo, enquanto — o arquétipo e a sincronicidade — revelam o cruzamento e a manifestação simultânea das realidades física e psíquica da natureza e da vida.
III — 3. O Espaço-Tempo Ancestral e Moderno
O espaço-tempo moderno é o tecido quadridimensional de Albert Einstein — que descreve o palco onde o cosmos acontece. Enquanto o espaço-tempo ancestral — explica a teia tridimensional determinada pela mecânica celeste.
Já o termo quântico, aqui resgatado no seu conceito original de Max Planck, — que revela que a energia não é emitida de forma contínua ou linear, — mas que se articula em sistemas organizados ou pacotes individuais.
Por sua vez, o conceito científico ancestral demonstra que o universo é quântico porque se expande e manifesta de forma circular — com sistemas sobre sistemas que se cruzam e articulam em todas as escalas e dimensões, — e onde a própria unidade era considerada uma estrutura completa e organizada, representada pela Matriz de 1440 minutos.
Para completar este contexto de correspondências conceituais onde se estabelecem pontes entre os conhecimentos modernos e ancestrais — também podem ser apontadas importantes diferenças — na maneira como ambas as culturas descrevem a ordem na cadeia de eventos do espaço-tempo — na qual a ciência moderna se assenta em princípios de causa-efeito, enquanto a ciência ancestral se baseia em modelos de ordem e complementaridade simultânea — paradigmas que se opõem e as fazem divergir.
O modelo de espaço-tempo descrito pela ciência ancestral — onde os eventos físicos e psíquicos se revelam de forma simultânea e complementar no universo — coincide com um dos pilares do pensamento moderno — o conceito de arquétipo de Carl Jung, que explica como os padrões e imagens universais da natureza se manifestam e refletem sobre o mesmo modelo — na psique.
Estes fenómenos considerados na ciência ancestral, e abordados também pelo pensamento moderno, com o modelo de sincronicidade de Jung — revelam como a natureza física e psíquica dos eventos se articula de forma recíproca, simultânea e em sincronia.
III — 4. O Espaço-Tempo Tridimensional e Quadridimensional
É no entendimento de como o espaço-tempo é definido e caracterizado — na ciência e astronomia ancestrais e modernas — que podemos começar a identificar e a explicar as suas diferenças.
O espaço-tempo ancestral é determinado pelo padrão orbital dos planetas e outros eventos celestes — definido por duas coordenadas de espaço opostas, complementares e simultâneas, articuladas com uma coordenada de tempo comum a ambas — um sistema que dá forma a uma estrutura tridimensional, em constante expansão e movimento no universo — identificada pela sua astronomia.
O espaço-tempo ancestral era assente numa observação circular e cíclica, com grandezas expressas unicamente em minutos de tempo e minutos angulares de espaço — onde a escala variava consoante a magnitude de cada ciclo cósmico —, esta flexibilidade geométrica articulava o espaço-tempo de forma proporcional para cada movimento ou fenómeno, expandindo ou contraindo a sua dimensão, conforme a natureza do círculo do corpo ou da configuração observada — o que permitia estudar a astronomia sobre um sistema sempre racional e em harmonia com a escala da Humanidade.
Por sua vez, o espaço-tempo moderno de Einstein é quadridimensional e descreve a estrutura onde os eventos acontecem no universo, sendo moldado pela massa e pela energia, sob a constante da velocidade da luz. Neste modelo, o cálculo não depende de uma escala fixa humana, sendo que, a partir do ponto de observação, a medição é linear e contínua, estendendo-se desde escalas de metros até à imensidão de anos-luz.
O tecido do espaço-tempo na astronomia moderna é observado através dos desvios e impulsos da luz com a passagem da matéria pelo universo. Esta estrutura geométrica e dinâmica é descrita pela gravidade que resulta da deformação causada pela massa e pela energia — um sistema de leitura complexa auxiliado por supercomputadores e telescópios, com uma tecnologia superespecializada que permite medir e calcular a malha do cosmos com alta precisão e rigor — traduzindo-a através de equações que mapeiam milhões de vetores em todas as direções. É assim que se desenha, mesmo que de forma linear e abstrata, todo o tecido do cosmos até onde os seus telescópios podem alcançar.
III — 5. O Método Científico Ancestral e Moderno
Pode ser bastante injusto definirmos e reduzirmos o sistema da matemática moderna a algo puramente linear e abstrato. Quando, na verdade, as suas equações são sistemas belíssimos e criativos que têm a capacidade de fazer dançar e rodopiar milhões de vetores sobre infinitos sentidos, planos e trajetórias — transformando o universo num verdadeiro espetáculo de cálculo visual e rítmico de coreografias absolutamente fascinantes, apenas possíveis de serem orquestradas pelas suas fórmulas.
Recusando o preconceito que reduz a astronomia ancestral a uma visão geocêntrica ou à ilusão de uma abóbada fixa, este estudo demonstra que, para aquelas culturas — o círculo e a matriz não são representados por uma cúpula no céu, mas sim pela dinâmica das próprias órbitas.
Quando a observação se centra na viagem e no ciclo dos eventos planetários na astronomia, os seus cálculos não incluiam os eixos lineares — de largura e comprimento do espaço-tempo moderno.
É por esta razão que a ciência ancestral operava com uma dimensão de espaço a menos do que o sistema astronómico atual — porque o seu espaço-tempo não se media a partir de projeções estáticas na abóbada celeste, mas sim pela expansão contínua da espiral orbital. Longe de ser primitiva, era uma matemática racional, onde o movimento descrevia o espaço-tempo que nascia dele.
O caráter tridimensional e quadrimensional do estudo das duas astronomias assenta na diferença entre os métodos circular ancestral e linear moderno. Podemos encontrar essa diferença de interpretação na forma como ambos os sistemas utilizam as suas coordenadas de espaço e de tempo.
No seu modelo circular, a astronomia ancestral recorre a apenas duas coordenadas de espaço e uma de tempo. A primeira dimensão de espaço descreve a viagem orbital direta — o sentido solar —, onde o movimento e o tempo se fundem de forma cíclica, dispensando os eixos lineares de largura e altura do espaço moderno.
Já a segunda coordenada de espaço ancestral é representada pelo sentido sideral — um movimento contrário ao solar, mas seu complementar e simultâneo. No modelo linear contemporâneo, esta coordenada é análoga ao eixo da profundidade. É assim que podemos compreender como os cálculos ancestrais dispensavam uma das dimensões do espaço em relação à ciência moderna.
Assim, podemos compreender que as bases de observação de ambas as culturas partem de perspectivas, dimensões e escalas diferentes para descrever os mesmos fenómenos. Uma diferença que pode ser ilustrada na forma de ver as horas num relógio em cada cultura — enquanto a astronomia ancestral descreve a engrenagem mecânica do relógio, a astronomia moderna calcula a trajetória, velocidade e temperatura dos seus ponteiros. O fosso que as separa não se encontra no rigor ou na precisão dos dados — mas na diferença nos métodos de leitura da realidade.
III — 6. Três Eras, Um Universo e Uma Astronomia
A ciência moderna lê a realidade como uma linha de tempo contínua, causal e progressiva — um traçado seguido a direito, um caminho talvez mais curto que permite chegar mais longe e mais depressa no universo. Apoiado em magníficas equações e fórmulas sobre pequeníssimas ou enormes dimensões, sempre sobre escalas que transcendem a mente humana — um sistema que poderá não proporcionar uma visão integral do mecanismo do espaço-tempo, fazendo perder muitos detalhes na ordem de manifestação do universo... quem sabe?
Enquanto a ciência ancestral descrevia a dinâmica planetária não a partir das suas consequências, mas do mecanismo que explicava a geometria e o padrão do espaço-tempo — sem calcular forças ou energias, com uma leitura mecânica e matemática a partir das órbitas dos planetas — uma realidade científica que descrevia os eventos numa escala humana e racional, que permitiu à astronomia reproduzir o padrão cósmico no qual o universo se manifesta sobre o planeta Terra e na vida na sua superfície.
A Astronomia Ancestral afirma-se assim com uma visão ampla sobre o Universo — refletido e compreendido na sua totalidade — a partir do modelo e perspetiva do Sol, da Lua e da Terra. Estas culturas conheciam os movimentos planetários de forma absoluta. Sem cálculos complexos, foi com a aritmética que puderam compreender que a dinâmica celeste — construía uma teia tridimensional e evolutiva — assente em padrões circulares e cíclicos sobre o universo.
Com este entendimento, podemos concluir que a Astronomia Ancestral e a Astronomia Moderna partilham o mesmo princípio científico fundamental — onde o cosmos e a natureza operam sobre leis geométricas e matemáticas universais, independentes de quem as observa ou de onde sejam observadas.
Assim, quer se calculem as dinâmicas celestes através de equações abstratas, quer se cruzem as órbitas na Matriz de 1440 minutos, ambos os sistemas moderno e ancestral servem para descrever um único e mesmo Universo.
Para a ciência ancestral, o espaço-tempo da Terra era individual e seu original, contudo para a ciência moderna, o espaço-tempo é descrito como uma malha única com uma dimensão universal.
Perspectivas distintas de observar o cosmos, mas que se podem completar de forma orgânica e natural.
Para entender esta relação, vamos imaginar um motor que se move submerso no infinito da água.
A Astronomia Ancestral é quem domina o motor por dentro — conhece a sua mecânica exata, as engrenagens, o ritmo e forma interna desse funcionamento — a ordem e expansão do espaço-tempo sobre o universo. A física moderna, por sua vez, é especialista no oceano — calcula a água, desenha vetores, mede forças e descreve a malha cósmica com enorme precisão tecnológica, mas conhece o motor apenas por fora, sem compreender a natureza da mecânica que o faz girar.
Duas ciências que sobre visões diferentes explicam a mesma dimensão de forma complementar. Enquanto uma guarda a chave do seu funcionamento interno — a outra tem o mapa da imensidão onde ele opera.
No entanto, quer se observe a precisão do interior do motor, quer se admire a sua dança nas forças das águas, qualquer que seja o percurso da humanidade ou ciência, sobre qualquer modelo ou dimensão, o universo surge sempre dominante, pleno e sublime, deslumbrante um verdadeiro templo de harmonia e sabedoria — de uma perfeição incontestável.
É assim que, em qualquer cultura ou época, o céu se revela sempre como uma verdadeira obra de arte. Sobre qualquer conhecimento — fazendo girar teias no cosmos, ou dançando com vetores na imensidão — com qualquer perspetiva — a mecânica física e espiritual da ciência ancestral, ou a precisão prática e tecnológica da ciência moderna.
Encontramos assim, algures na história da humanidade, duas civilizações, dois paradigmas distantes — que, cada um à sua maneira decifra o mesmo mistério — condenadas a um dia terem de se encontrar.
…e quem sabe, avançar lado a lado, sobre o mesmo paradigma e uma só astronomia — na construção de uma nova Era e civilização.

